Dérbi amargo: Corinthians perde para o Palmeiras e deixa escapar chance de liderança
A noite deste domingo terminou de forma frustrante para a Fiel Torcida. Em mais um capítulo do clássico mais tradicional do futebol paulista, o Corinthians foi derrotado pelo Palmeiras por 1 a 0, em partida válida pela sétima rodada da competição estadual. O confronto, disputado em clima de muita tensão e rivalidade, marcou o primeiro Dérbi de 2026 e terminou com gosto amargo para a equipe alvinegra, que desperdiçou oportunidades e viu o adversário ser mais eficiente nos minutos finais.
O único gol do jogo foi anotado pelo atacante Flaco López, aos 38 minutos do segundo tempo, aproveitando rebote dentro da área após defesa parcial do goleiro Hugo Souza. O lance acabou decidindo um duelo que, durante boa parte do tempo, foi equilibrado e com momentos de superioridade do Timão. A derrota fez o Corinthians estacionar nos 11 pontos e cair para a quinta colocação na tabela, diminuindo consideravelmente as chances de terminar a primeira fase na liderança geral.
Desde o apito inicial, o time comandado por Dorival Júnior demonstrou postura competitiva e vontade de assumir o protagonismo da partida. O Corinthians iniciou o confronto pressionando a saída de bola do rival e buscando explorar principalmente as jogadas pelos lados do campo. Logo no primeiro minuto, uma falha do lateral Khellven quase resultou em boa oportunidade para o Timão, mas a defesa palmeirense conseguiu se recompor a tempo.
Com o passar dos minutos, o cenário do primeiro tempo foi se desenhando de forma favorável à equipe corinthiana. O Palmeiras até tentou responder em bolas paradas e cruzamentos, mas era o Corinthians quem criava as jogadas mais perigosas. Aos 17 minutos, por exemplo, Memphis Depay encontrou Breno Bidon livre dentro da área. O jovem meia finalizou cruzado e levou perigo ao gol defendido por Carlos Miguel.
O momento mais marcante da etapa inicial, porém, aconteceu por volta dos 30 minutos. Após cobrança de escanteio de Memphis, o zagueiro Gustavo Henrique foi atingido na cabeça pelo goleiro palmeirense dentro da área. O árbitro Raphael Claus, bem posicionado, assinalou pênalti para o Corinthians. Era a grande chance de abrir o placar e transformar a superioridade em vantagem concreta.
Entretanto, o que se viu foi um lance que simbolizou a noite infeliz alvinegra. Na cobrança, Memphis Depay escorregou no momento do chute e acabou mandando a bola para fora, à esquerda da meta. O erro pareceu abalar emocionalmente a equipe, que ainda tentou pressionar até o fim do primeiro tempo, mas não conseguiu balançar as redes. Assim, as equipes foram para o intervalo com o placar zerado.
Na volta para a segunda etapa, o panorama mudou. O Palmeiras retornou com postura mais agressiva e passou a equilibrar as ações. Logo aos cinco minutos, Allan arriscou de fora da área e obrigou Hugo Souza a trabalhar. O Corinthians tentava responder, mas já não encontrava os mesmos espaços do primeiro tempo.
Mesmo assim, o Timão ainda teve boas oportunidades. Aos 15 minutos, Memphis finalizou da entrada da área e Carlos Miguel fez defesa segura. Pouco depois, Matheus Bidu arriscou chute cruzado e novamente o goleiro palmeirense apareceu bem para evitar o gol. Na sequência, após escanteio cobrado por Memphis, Gabriel Paulista cabeceou firme e exigiu grande intervenção do arqueiro adversário.
O jogo seguia aberto e tenso, com as duas equipes alternando momentos de domínio. Aos poucos, porém, o Corinthians foi perdendo intensidade e o Palmeiras passou a apostar nos contra-ataques. Percebendo a queda de rendimento, Dorival Júnior tentou mexer na equipe e promoveu a entrada de Rodrigo Garro no lugar de Matheus Pereira, buscando maior criatividade no meio-campo.
Mesmo com as alterações, o Timão não conseguiu retomar o controle do duelo. Aos 36 minutos, um lance fora de campo também chamou atenção: o técnico palmeirense Abel Ferreira acabou expulso após insistentes reclamações com a arbitragem. Dois minutos depois, viria o golpe definitivo contra o Corinthians.
Em jogada rápida pelo meio, Maurício finalizou e a bola desviou na defesa corinthiana. Hugo Souza fez a defesa parcial, mas no rebote Flaco López apareceu livre para empurrar para o fundo do gol e colocar o Palmeiras em vantagem. O lance foi um duro castigo para um Corinthians que, apesar de ter criado chances, não conseguiu transformá-las em gol.
Nos minutos finais, o desespero tomou conta do time alvinegro. Dorival ainda lançou Pedro Raul e Dieguinho nas vagas de André Luiz e Breno Bidon, além de promover a entrada de Vitinho no lugar de Matheus Bidu. As mudanças, porém, não surtiram efeito. Sem organização e já abatido emocionalmente, o Corinthians pouco produziu e não teve forças para buscar o empate.
O apito final confirmou a derrota dolorosa no clássico e deixou um sentimento de frustração generalizada. Mais do que os três pontos perdidos, o resultado representou a perda da oportunidade de assumir a liderança geral do torneio e ganhar confiança em um momento importante da temporada.
A escalação inicial do Corinthians contou com Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, André Luiz, Matheus Pereira e Breno Bidon; além de Memphis Depay e Yuri Alberto no comando ofensivo. No banco de reservas, Dorival teve à disposição atletas como Felipe Longo, João Pedro, André Ramalho, Vitinho, Pedro Raul, Pedro Milans, Cacá, Charles, Gui Negão e Dieguinho.
Do outro lado, o Palmeiras foi a campo com Carlos Miguel; Khellven, Murilo, Gustavo Gómez e Joaquín Piquerez; Marlon Freitas, Andreas Pereira, Allan e Maurício; Flaco López e Vitor Roque, sob o comando de Abel Ferreira.
Além da derrota, o Corinthians também precisou lidar com desfalques importantes. Dorival Júnior não pôde contar com jogadores que seguem em tratamento médico, incluindo um atleta diagnosticado com lesão no menisco lateral do joelho direito, o que limitou as opções para o clássico.
O resultado final acabou sendo reflexo de um jogo em que o Timão teve chances claras, mas falhou nos momentos decisivos. O pênalti perdido por Memphis, as boas defesas de Carlos Miguel e a falta de precisão nas finalizações foram fatores determinantes para o desfecho negativo.
Agora, o Corinthians precisa juntar os cacos e reagir rapidamente na competição. O próximo compromisso está marcado para quinta-feira, dia 12 de fevereiro, quando a equipe retorna aos gramados para enfrentar o Red Bull Bragantino, na Neo Química Arena, às 20h. Será uma nova oportunidade para o time buscar a recuperação e tentar reconquistar a confiança perdida no clássico.
A Fiel, como sempre, espera uma resposta imediata. Derrotas em Dérbis deixam marcas profundas, mas também costumam servir de combustível para reações. Resta saber como o elenco e a comissão técnica irão assimilar o golpe e trabalhar para que o tropeço não comprometa o restante da temporada.
Enquanto isso, fica a sensação de que o Corinthians deixou escapar uma grande oportunidade. Em uma noite que poderia ter sido de afirmação, prevaleceu a tristeza de mais um revés diante do maior rival.

