Corinthians luta até o fim, mas perde título da Supercopa Feminina nos pênaltis
O sábado que poderia terminar em festa para a Fiel Torcida acabou marcado por um sentimento de frustração e tristeza. Em decisão disputada na Arena Barueri, o Corinthians enfrentou o Palmeiras pela grande final da Supercopa Feminina e ficou muito perto de conquistar mais um troféu nacional. Após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, com gols de Jaqueline para o Timão e Bia Zaneratto para o rival, o título foi decidido nas cobranças de pênaltis. Na disputa, o adversário levou a melhor por 5 a 4 e acabou ficando com a taça.
Desde os primeiros minutos, a partida mostrou que seria um confronto equilibrado e extremamente disputado. Jogando em casa, o Palmeiras tentou impor pressão inicial e dominar as ações ofensivas. Mesmo assim, quem abriu o placar logo no início foi o Corinthians. Em sua primeira chegada ao ataque, as Brabas demonstraram eficiência e qualidade técnica. Aos seis minutos, Jaqueline recebeu excelente passe de Duda Sampaio, avançou pela direita, deixou a marcação para trás e finalizou com categoria no ângulo, sem chances para a goleira adversária. Um verdadeiro golaço que colocou o Timão em vantagem.
Após sofrer o gol, o time palmeirense aumentou ainda mais a intensidade e passou a buscar o empate de todas as formas. A equipe corinthiana, por sua vez, manteve a organização tática e procurou explorar os contra-ataques. Em cobrança de falta bem executada, Gabi Zanotti chegou a acertar a trave, quase ampliando o marcador. No entanto, antes do intervalo, o rival conseguiu igualar o placar. Aos 40 minutos, após cruzamento pela direita, Bia Zaneratto apareceu livre para cabecear e deixar tudo igual.
A etapa inicial ainda ficou marcada por um momento de preocupação. Em dividida dentro da área, a goleira Lelê acabou se chocando com uma adversária e precisou deixar o campo por conta do protocolo de concussão. A arqueira foi substituída por Nicole, que entrou na partida ainda no primeiro tempo e teve atuação segura ao longo do jogo.
No segundo tempo, o cenário se manteve bastante equilibrado. As duas equipes criaram oportunidades, mas o nervosismo típico de uma decisão acabou prevalecendo. O Corinthians chegou perto de marcar novamente quando Andressa Alves acertou o travessão em finalização perigosa. Do outro lado, o Palmeiras também assustou e quase virou o placar, mas viu Erika salvar uma bola em cima da linha, evitando o que poderia ser o gol do título adversário.
O técnico Lucas Piccinato tentou mexer na equipe para dar novo fôlego ao Timão. Entraram em campo Erika, Gisela Robledo, Letícia Monteiro, Jhonson e Vic Albuquerque, buscando mais poder ofensivo e criatividade. Mesmo com as mudanças, o duelo seguiu truncado e com poucas chances claras. O tempo regulamentar terminou empatado, e a definição ficou para a dramática disputa por pênaltis.
Nas cobranças, o clima de tensão tomou conta da Arena Barueri. Pelo lado corinthiano, Gabi Zanotti abriu a série, mas parou na defesa da goleira adversária. Em seguida, Vic Albuquerque, Thaís Ferreira e Letícia Monteiro converteram suas batidas e mantiveram o Corinthians vivo na disputa. Quando tudo parecia caminhar para um final feliz, Jhonson teve a oportunidade de garantir o título, mas acabou desperdiçando sua cobrança.
Com o empate persistindo, as penalidades foram para as cobranças alternadas. Gisela Robledo ainda marcou para o Timão, mas na sétima batida, a capitã Tamires acabou parando na goleira Kate Tapia, que defendeu e confirmou a vitória palmeirense por 5 a 4. O sonho do tetracampeonato consecutivo da Supercopa Feminina escapava nos detalhes, deixando um gosto amargo para as Brabas e para toda a torcida alvinegra.
Com o resultado, o Corinthians ficou com o vice-campeonato da competição pela segunda vez em sua história. A equipe já havia sido derrotada em circunstâncias semelhantes na edição de 2025. Apesar do revés, o clube segue como o maior campeão do torneio, com três títulos conquistados nos anos de 2022, 2023 e 2024, reafirmando sua força e tradição no futebol feminino nacional.
Antes da bola rolar, o técnico Lucas Piccinato teve de lidar com importantes desfalques. As zagueiras Thaís Regina e Agustina seguem em recuperação de lesões, enquanto a atacante Ariel está afastada por licença maternidade. Mesmo com as ausências, o treinador manteve a base que vinha atuando e mandou a campo uma equipe competitiva.
O Corinthians iniciou a decisão com Lelê; Gi Fernandes, Thaís Ferreira, Letícia Teles e Tamires; Ana Vitória, Duda Sampaio, Andressa Alves, Jaqueline e Belén Aquino; Gabi Zanotti. Durante a partida, ainda entraram Nicole Ramos, Gisela Robledo, Ivana Fuso, Vic Albuquerque, Letícia Monteiro, Paola Garcia, Juliete, Rhaizza, Dayana Rodríguez, Jhonson, Carol Nogueira e Erika.
Do outro lado, o Palmeiras, comandado pela técnica Rosana Augusto, entrou em campo com Kate Tapia; Rhay Coutinho, Poliana, Pati Maldaner e Fê Palermo; Ingryd, Andressinha e Brena; Tainá Maranhão, Gláucia e Bia Zaneratto.
Ao longo dos 90 minutos, o que se viu foi um clássico digno do tamanho das duas equipes. Muita entrega, rivalidade acirrada e emoção até o último instante. O Corinthians demonstrou valentia, organização e espírito competitivo, mas acabou castigado pela crueldade dos pênaltis, que nem sempre premiam quem apresenta o melhor futebol.
Apesar da dor pela perda do título, o elenco corinthiano sai da Supercopa de cabeça erguida. O trabalho segue sólido, e a temporada está apenas começando. As Brabas terão muitas outras competições pela frente e novas oportunidades de voltar a levantar troféus, algo que se tornou rotina nos últimos anos.
Agora, o foco do Corinthians se volta para o próximo desafio. A equipe retorna aos gramados na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, quando enfrenta o Atlético-MG na Arena MRV, às 21h, pela rodada de abertura do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026. Será a chance de iniciar uma nova caminhada e deixar para trás a frustração recente.
A derrota nos pênaltis certamente dói, mas faz parte da trajetória de qualquer grande time. O Corinthians mostrou mais uma vez porque é referência no futebol feminino brasileiro. Com um elenco qualificado e uma torcida apaixonada, o Timão seguirá firme em busca de novas conquistas ao longo da temporada.

