Campeonato Brasileiro- 33ª Rodada – Corinthians 0X1 Ceará


Corinthians sofre nova derrota em casa e se complica no Brasileirão

O Corinthians voltou a viver uma tarde amarga na Neo Química Arena. Diante de um público fiel, mas apreensivo, o time comandado por Dorival Júnior foi superado pelo Ceará por 1 a 0, neste domingo, em duelo válido pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O único gol da partida foi marcado por Galeano, ainda no primeiro tempo, após um erro fatal de passe no ataque corinthiano que originou um rápido contra-ataque adversário.
O resultado, além de doloroso, representou mais um tropeço do Timão dentro de seus domínios, acentuando o clima de preocupação na reta final da competição. O time, que buscava embalar uma sequência positiva para se afastar de vez da parte inferior da tabela, acabou frustrando novamente seu torcedor.
Desde o apito inicial, o Corinthians parecia disposto a assumir o protagonismo. Sob o comando de Dorival Júnior, a equipe se postou com linhas adiantadas, tentando imprimir intensidade e controlar o ritmo da partida. A estratégia funcionou nos primeiros minutos, quando o Alvinegro teve mais posse de bola e criou boas oportunidades, principalmente com Gustavo Henrique. O zagueiro chegou a marcar de cabeça após escanteio cobrado por Garro, mas o gol foi anulado por impedimento de Matheus Bidu.
Mesmo com o controle territorial, o Corinthians falhava no último passe. A equipe abusava das bolas laterais e demonstrava certa afobação nas conclusões. Aos 30 minutos, o castigo veio: em um lance de desatenção ofensiva, Yuri Alberto perdeu a bola na intermediária, e o Ceará armou um contra-ataque fulminante, finalizado com precisão por Galeano.
O gol desestruturou emocionalmente o Timão. O que antes era ímpeto virou nervosismo, e a equipe passou a errar passes simples. Dorival Júnior tentava orientar seus atletas à beira do campo, pedindo calma e compactação, mas a ansiedade se tornou o maior adversário alvinegro. Antes do intervalo, o Corinthians ainda assustou em uma cobrança de falta de Memphis, desviada em André Ramalho — uma cena que simbolizou a desorganização do setor ofensivo.
Na etapa complementar, o treinador corinthiano tentou corrigir o rumo. O time voltou com uma postura mais agressiva, adiantando os laterais e apostando em movimentações pelos flancos. Matheuzinho e Matheus Bidu passaram a ser peças importantes na tentativa de abrir a defesa cearense, mas o bloqueio adversário mostrava-se sólido.
O Ceará, comandado por Léo Condá, manteve uma estrutura defensiva compacta, com linhas próximas e muita disciplina tática. O Corinthians, por sua vez, girava a bola de um lado a outro, mas sem encontrar espaços para a infiltração. A posse de bola, embora expressiva, não se traduzia em perigo real.
Aos 15 minutos, André Ramalho arriscou um chute forte de fora da área, levando perigo e arrancando suspiros da torcida, mas a bola passou rente à trave de Bruno Ferreira. Pouco depois, Gustavo Henrique teve nova chance clara, subindo sozinho após cobrança de falta, mas cabeceou para fora, desperdiçando o que poderia ser o empate.
As mudanças promovidas por Dorival tentaram dar novo fôlego ao ataque. Entraram Romero e Gui Negão, com o intuito de dinamizar as jogadas ofensivas e dar mais profundidade. Ainda assim, o panorama pouco mudou. O Corinthians manteve o controle do jogo, mas seguiu previsível, insistindo em cruzamentos sem direção e passes horizontais.
Nos minutos finais, a frustração tomou conta das arquibancadas. Cada lance perdido, cada passe errado era acompanhado por murmúrios e gestos de incredulidade da Fiel. O Ceará, mesmo recuado, ainda teve chances de ampliar, obrigando Felipe Longo a fazer uma grande defesa nos acréscimos.
Com o apito final, a sensação foi de mais uma oportunidade desperdiçada. A derrota, a terceira consecutiva em casa, deixa o Corinthians estacionado na 13ª posição, com 42 pontos — apenas nove acima da zona de rebaixamento. O cenário, embora ainda não alarmante, acende o sinal de alerta, especialmente diante da proximidade do clássico contra o São Paulo, na próxima quinta-feira, às 19h30, novamente na Neo Química Arena.
Na entrevista coletiva, Dorival Júnior demonstrou frustração com o resultado, mas evitou apontar culpados. “Tivemos o controle da partida, criamos oportunidades, mas não fomos eficazes. Precisamos ter mais tranquilidade na tomada de decisão. O momento exige equilíbrio e confiança, e é isso que vamos buscar nesses próximos jogos”, declarou o treinador.
Entre os jogadores, o clima também era de abatimento. Gustavo Henrique, um dos mais participativos em campo, lamentou o resultado: “A gente se esforçou, tentou o tempo todo, mas a bola não entrou. É difícil aceitar perder dentro de casa, ainda mais sabendo da força que temos aqui. Agora é levantar a cabeça e seguir trabalhando”.
O torcedor corinthiano, que encheu a Arena com esperança de uma reação, saiu com um misto de tristeza e preocupação. O desempenho, embora combativo, revelou limitações que têm se repetido ao longo da temporada: pouca efetividade ofensiva, falhas na transição e dificuldade em lidar com times que jogam fechados.
O próximo compromisso do Corinthians será crucial não apenas pelos três pontos, mas também pela recuperação da confiança. Enfrentar o rival São Paulo pode ser o divisor de águas para a equipe reencontrar o caminho das vitórias e, principalmente, o apoio irrestrito da torcida.
Enquanto isso, o Ceará celebrou um triunfo importante fora de casa. Com a vitória, a equipe nordestina ganhou moral e mostrou que, mesmo longe de seus domínios, é capaz de competir em alto nível. O gol de Galeano foi o retrato da eficiência: poucas chances criadas, mas aproveitamento cirúrgico.
A derrota do Corinthians não se explica apenas por um erro individual, mas por um conjunto de fatores que têm se repetido. A falta de agressividade nas conclusões, a lentidão nas transições e a previsibilidade tática têm sido obstáculos que o time precisa superar rapidamente se quiser encerrar o campeonato com dignidade.
Com cinco rodadas restantes, o Timão ainda depende apenas de si para garantir a permanência na Série A, mas o alerta está ligado. A Fiel, acostumada a ver o clube reagir nos momentos de maior dificuldade, aguarda uma resposta dentro de campo — uma demonstração de raça, entrega e comprometimento que sempre caracterizou o manto alvinegro.